terça-feira, 20 de outubro de 2009

Feira do Livro com alma tradicionalista

XVII Feira do Livro de Morro Reuter encerrou com Galpão Crioulo, Tchê Chaleira e público de mais de 20 mil pessoas



No próximo domingo, dia 25, Morro Reuter vai acordar mais cedo. O motivo é assistir pela RBS TV ao Galpão Crioulo, logo após o Campo & Lavoura. A pequena cidade de 7 mil habitantes vai se tornar conhecida pelo Rio Grande. O programa foi gravado na manhã deste domingo na praça central da cidade. A gravação fez parte da programação da XVII Feira do Livro do município, que iniciou na última quarta-feira e encerrou no domingo com sucesso de público e de vendas. “Mais de 20 mil pessoas passaram pela feira. O evento foi positivo em todos os sentidos”, diz a secretária municipal de Educação, Cristiane Hinterholz.
A gravação do programa iniciou às 10h30 e encerrou por volta das 13h. O CTG Garrão da Serra abrilhantou ainda mais o evento com suas belas danças. Na plateia, o prefeito Adair Bohn estava vestido a caráter e volta e meia seu filho Xirú soltava o grito de “sapucai” para animar a festança. Junto a eles, o vice-prefeito Harri Becker, a Rainha de Morro Reuter e suas Princesas, o Rei e a Rainha do Kerb e famílias inteiras, com a cuia de chimarrão passando de mão em mão, aplaudiam de pé Os Fagundes.
Nico Fagundes lembrou que a cidade estava em festa e de luto. “Lamentamos a tragédia que tirou a vida de dois jovens dessa cidade”, disse ele, emocionando a plateia. Na primeira fileira, uma das vítimas, Airton “Stibi” Krewer, que integra o CTG, era o mais emocionado.
Rui Biriva prestou uma homenagem ao povo loiro, cantando “Alemoa”, sucesso do novo CD “Pedindo Cancha”, e volta e meia Nico arriscava algumas frases em alemão para delírio do público. Com o patrono Eric Chartiot, os Fagundes aprenderam alguns truques de mágica, que poderão ser revistos na exibição do programa no próximo domingo, às 6h30. No palco, o melhor do nativismo ainda teve Joca Martins e Grupo e Os Fagundes, com Nico, os irmãos Neto, Ernesto e Paulinho, e Bagre Fagundes, que foi homenageado com a canção “De Filho para Pai”, encerrando a gravação.





7 mil pessoas só domingo
Durante os cinco dias da festa cultural, passaram por Morro Reuter escritores, contadores de histórias, músicos como Gabriel, O Pensador, críticos, crianças e adultos amantes da leitura. “Viemos conferir o melhor da feira. Está maravilhoso”, afirmou a professora de Matemática Rosa Denise Backes, de Santa Maria do Herval, que prestigiou o evento ao lado do marido Jorge e dos filhos Eduardo e Junior. “Ontem (domingo) tivemos um público de 7 mil pessoas conferindo a gastronomia e prestigiando os shows. Conseguimos atingir nosso propósito, que era resgatar a verdadeira alma da feira, voltada para a comunidade”, conclui a secretária Cristiane.

Carro estava com seis passageiros na tragédia do Morro

Luciano Petry, que não aparece no registro de ocorrência, também estava no Omega e conta como tudo aconteceu


O Jornal Dois Irmãos foi procurado no fim de semana por familiares das vítimas do acidente ocorrido na última quinta-feira. O motivo era o comentário que circulava na cidade de que haveria um sexto ocupante no Omega que bateu em uma árvore e capotou, matando duas pessoas. “Nós queremos apenas a verdade. Saber o que realmente aconteceu”, diz José Honig, irmão de Ademir, que morreu na hora. “Era umas 19h quando começaram a ligar perguntando do meu irmão. Nunca pensei que ele pudesse estar junto, ele não era da turma. Quando cheguei ao local do acidente, apenas vi a mão dele para fora, o corpo estava tapado. Não tive dúvidas: era ele”, relembra José. “É difícil acreditar, entender o que houve”, lamenta ele.
Na reportagem de sexta-feira, a informação oficial era de que havia cinco pessoas no Omega dirigido por Fabio Luiz Oberherr. No sábado, porém, descobriu-se que o pedreiro Luciano Petry, 23 anos, também estava no veículo. O problema é que seu nome não aparece no registro de ocorrência oficial da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Bastante abatido e lamentando a morte dos amigos, ele recebeu duas jornalistas e o irmão de Ademir, e contou como aconteceu o acidente.
- Na quinta-feira não tinha serviço por causa da chuva. Então, combinamos de fazer um peixe de noite na lavagem (de Airton Krewer e Mauri Hertz). Ao meio-dia a turma já tinha dado uma volta em Dois Irmãos, sem eu ir junto. Aí deram carona para o Ademir, que veio a Morro Reuter, e lá pelas 14h45 resolvemos dar uma banda em Novo Hamburgo e o Ademir foi junto também - relata Luciano, afirmando que Ademir já estava com eles e que, ao contrário do que se imaginava, não pegou carona apenas pouco antes do acidente.
- Fomos em seis e todos beberam cerveja. Bebemos no caminho, paramos no posto e a última parada foi na Tenda da Figueira, lá pelas 17h30, onde pegamos mais cervejas. É verdade que o Fábio estava se prevalecendo na direção e várias vezes o “Stibi” (Airton) pediu para dirigir, e ele não deixou, dizia que “era motorista”. Ele correu bastante, ultrapassamos vários carros e um caminhão poucos metros antes de bater. Ele achou que ia fazer aquela curva e não fez. Todos estavam sem cinto de segurança e ele estava dirigindo a uns 110 km/h. Foi muito rápido, quando vi que iríamos bater, me segurei com todas as minhas forças. O carro bateu e virou. O Mauri, o Ademir e o Airton, que estavam sentados do lado direito, voaram para fora. Assim que consegui sair, fui ver meus amigos. O Ademir estava a uns 10 metros do carro e morreu na hora. O Cristiano estava deitado na valeta, se afogando com a água da chuva. Fui ajudar ele e corri de volta para ver o Mauri, que estava bastante ferido e sangrando muito. A ambulância demorou uns 10 minutos, mas parecia uma eternidade. Estávamos desesperados. Não sei quem deu a ocorrência para a PRF que meu nome não apareceu. Naquela hora só pensei em ajudar meus amigos e fui na ambulância com o Mauri - diz Luciano.
Na sexta-feira, a redação do JDI tentou conversar com o motorista, que estava em observação no posto de saúde de Morro Reuter, mas ele não quis falar.

Uma das vítimas continua
internada em estado grave

Faleceram no acidente Ademir Honig, 39 anos, e Mauri Hertz, 28. O motorista Fabio Luiz Oberherr, 29, teve ferimentos leves e Luciano Petry, 23, escapou ileso. Airton Krewer, 36, também ficou ferido, mas já recebeu alta do hospital.
O caso mais delicado é de Cristiano Dilly, 32 anos, que continua internado em estado grave no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. “Quando eu vi ele na sexta-feira, entrei em desespero. Não reconhecia, não parecia ser meu filho”, conta a mãe Terezinha Dilly, que ficou assustada com os ferimentos.
Cristiano segue internado em coma induzido à espera de um leito na UTI. “Ele está em observação. Não tem leito na UTI. Está muito machucado e estamos rezando por sua recuperação. Meu marido foi ver ele ontem e disse que ele até reagiu um pouco ao ouvir a voz do pai, mas o estado é grave. Temos fé que ele vai voltar. Deus está conosco e meu filho vai ficar bom”, acredita Terezinha.



Líderes comunitários recebem homenagens no bairro Travessão


Em 23 de julho de 2004, o Travessão perdeu um dos seus maiores líderes comunitários. Cerillo Führ, então com 39 anos, morreu em um acidente de trânsito. Neste domingo, cinco anos depois, a praça do bairro recebeu seu nome como forma de retribuir suas ações pela comunidade. Além dele, foram homenageados os 11 fundadores da Associação de Moradores do Travessão, que completou este ano seu 20º aniversário.
O bairro viveu um dia histórico e emocionante, com o reconhecimento público de um grupo de pessoas que sempre trabalhou pela comunidade de forma voluntária. A Festa da Integração iniciou logo cedo, às 7h, com carreata e foguetório. Em seguida, os moradores participaram do culto ecumênico celebrado pelas comunidades Católica, Evangélica e Luterana. Após a celebração, iniciaram as homenagens aos fundadores, com uma placa anexada ao prédio da associação, e o descerramento da placa da praça Cerillo Führ, que foi acompanhada pela viúva Liçani e os filhos Aline e Gustavo.
Marcos Lauxen, um dos fundadores e atual presidente da associação, destacou o grande trabalho feito pelas diretorias anteriores e também por todos os moradores que de alguma forma ajudaram em mutirões e outras ações realizadas ao longo dos últimos 20 anos. “Agradecemos aos presidentes que deram tudo de si para termos hoje esse patrimônio, assim como as diretorias. Também agradeço as administrações anteriores e a todos os moradores que sempre nos ajudaram. A história da associação é de muita luta. É um orgulho depois de 20 anos ter o trabalho reconhecido”, disse ele.
O prefeito Miguel Schwengber, que mora no Travessão, elogiou a atuação voluntária. “Não é porque moro aqui, mas como prefeito digo que este é o bairro mais organizado de Dois Irmãos. Tenho orgulho de estar nesta inauguração da Praça Cerillo Führ. Aprendi a palavra solidariedade no dia que participei de um mutirão nesta praça, isso em 1992. Muito aqui é do Cerillo, ele é presença constante”, declarou Miguel.
Depois do descerramento da placa, a banda marcial da escola municipal Albano Hansen e os pequenos da escola de educação infantil Jardim da Alegria fizeram belas apresentações. A Festa da Integração seguiu com um almoço para cerca de 500 pessoas. Na parte da tarde houve reunião dançante com animação do conjunto Os Fenomenais.

sábado, 17 de outubro de 2009

Mais duas mortes na BR 116


Morro Reuter amanheceu de luto. Um clima de comoção e revolta tomou conta da cidade nesta sexta-feira. No início da noite de quinta, um grave acidente de trânsito na BR 116 deixou dois mortos e três feridos - um entre a vida e a morte.
Morreram Ademir José Honig, 39 anos, e Mauri Jair Krewer Hertz, 28. Cristiano Frederico Dilly está internado em estado grave na UTI. Airton José Krewer, 36, também continua internado, mas seu estado é regular. Já o motorista Fabio Luiz Oberherr, 29, sofreu apenas ferimentos leves.
A tragédia ocorreu por volta das 18h30, perto da divisa entre Dois Irmãos e Morro Reuter. Fabio dirigia o Omega ICH-2234 em direção ao Morro, quando perdeu o controle e bateu numa árvore. O carro capotou e ficou virado no meio da pista.
Ademir morreu na hora e foi enterrado na sexta no Cemitério Católico de Morro Reuter. Ele morava com a mãe e um irmão em Morro Reuter e trabalhava há 16 anos na Casa de Carnes Chuletão, em Dois Irmãos. Ele estava na parada próximo à entrada principal do município, quando os quatro amigos passaram e deram uma carona. Mauri faleceu por volta das 23h45 e foi enterrado neste sábado também no Cemitério Católico. Ele também era solteiro e, ao lado do primo Airton, era dono de uma lavagem de carros em Morro Reuter.



Latas e garrafas de cerveja no veículo
A presença de latas e garrafas de cerveja no veículo deixou muitos moradores do município revoltados.
No registro da Polícia Rodoviária Federal consta que foram recolhidas duas garrafas e uma lata de cerveja vazias e uma sacola térmica no momento que o motorista tentava dispersar os produtos na rodovia. O policial rodoviário Ricardo Martins e o soldado Thiago Kieling constataram que o motorista Fabio Oberherr apresentava hálito etílico. Não foi feito o teste do bafômetro porque ele também foi encaminhado para o posto.
Como o carro ficou no meio da pista, o trânsito foi interrompido e o congestionamento ultrapassou os dois quilômetros. O veículo foi removido por volta das 19h30. Por medida de segurança, a polícia desfez o local do acidente e não foi solicitada a equipe de perícia. O acidente aconteceu entre duas curvas, não havia iluminação pública, já era noite e estava chovendo, o que poderia causar mais acidentes. A PRF fez fotografias do local e o corpo foi removido ao IML.

Dois Irmãos é a cidade do teatro a partir de domingo


Um dos mais importantes eventos culturais do município está de volta. Neste domingo, dia 18, tem início a 15ª edição do Festival de Esquetes Teatrais de Dois Irmãos, que segue até o dia 22 de outubro. Ao todo, o evento reunirá 16 grupos de 9 cidades do Estado. Durante cinco dias, os grupos subirão ao palco da Sociedade Santa Cecília, sempre a partir das 19h37, para mostrar todo seu talento e disputar um dos 14 troféus de técnica e espetáculo. O corpo de jurados terá Marco Aurelio, Marco Fillipim e Vinicius Gentil Caurio.
De acordo com Carlos Alberto Klein, da Companhia de Teatro Curto Arte, que promove o evento, este será um ano especial para o festival. “O ano de 2008 foi o único que não teve o festival. Por isso, conseguir retornar é muito especial. O festival de teatro é um dos eventos mais importantes da área cultural na cidade, e o povo de Dois Irmãos merece este evento”, diz ele. Entre os concorrentes estão dois grupos de Dois Irmãos. Um deles é o grupo Herval Cia de Teatro, que sobe ao palco na segunda-feira com o espetáculo Cenas Breves Num Curto Espaço de Tempo. Já na quarta, é a vez do Theatrüren apresentar a peça Causos na Delegacia. “Além de ser um momento cultural importante para a cidade, o festival trará grupos de fora com o objetivo de mostrar seu trabalho. São peças muito boas, que podem fazer parte do cenário cultural do Estado. A cidade já está respirando o teatro. Esperamos lotar a sociedade e ter uma semana de muito sucesso para o teatro”, garante Betinho.
O encerramento, na quinta, terá a comédia O Analista de Bagé (foto), com o grupo O Velho do Saco, de São Leopoldo.

Prefeitura e CDL lançam Compra Premiada 2009



Foi lançada oficialmente na noite desta quarta-feira a Compra Premiada Natal dos Anjos, uma promoção da prefeitura municipal com o apoio da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Dois Irmãos. A solenidade, realizada na Sociedade Santa Cecília, contou com a participação de lojistas e autoridades, e ainda teve uma homenagem especial ao Grupo Herval, que este ano completa 50 anos de fundação.
Por questões legais, a campanha deste ano não pode ser promovida diretamente pela CDL, por isso a parceria com a prefeitura, que liberou 25 mil reais através de um projeto de Lei aprovado pela Câmara de Vereadores. A Compra Premiada vai sortear um automóvel 0km. O modelo do carro ainda não foi definido. Como a promoção parte de um órgão público, é preciso fazer licitação. A CDL será responsável pela organização da campanha, que começa segunda-feira.
O presidente da CDL, Adair Heilmann, agradeceu a parceria da prefeitura e desejou sucesso aos lojistas. No ano passado, cerca de 380 mil cupons participaram do sorteio final. A expectativa era ultrapassar esta marca, mas a meta é complicada. Como bem lembrou o diretor de eventos João Luiz Weber, como este ano não é a CDL que promove o evento, as filiais de Morro Reuter e Santa Maria do Herval não entram na campanha de 2009.
A noite também contou com uma homenagem especial ao Grupo Herval, que completa 50 anos em 2009 e que ajudou a fundar a CDL no ano de 1977. O diretor Agnelo Seger recebeu uma placa comemorativa das mãos do presidente Adair Heilmann e do prefeito Miguel Schwengber (foto).
O diretor de eventos da CDL destacou a trajetória de sucesso da maior empresa de Dois Irmãos.
- Ousamos dizer que a Herval é nossa, com muito orgulho. O Agnelo é um grande exemplo a ser seguido pelos comerciantes e empresários que desejam o sucesso - comentou João Luiz Weber.
O diretor da Herval agradeceu o reconhecimento:
- O João disse que era uma homenagem singela, mas é uma homenagem que cala muito forte no fundo do coração. É importante ter esse reconhecimento das pessoas com quem a gente convive - afirmou Agnelo.
Depois dos pronunciamentos, todos foram convidados a saborear um coquetel com pizzas e docinhos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O quadro negro já não atrai

Nesta quinta-feira, 15 de outubro, é Dia do Professor. Profissionais da área contam como ocorre o processo de prendizagem num tempo em que o professor compete com a vasta gama de tecnologia à disposição dos estudantes



Muitos chamam de “ssor”, “fessor”, “profe” ou simplesmente amigo. Não importa. Todos na vida têm ou já tiveram um professor que mais gostaram ou com que mais aprenderam. Hoje, 15 de outubro, é o Dia do Professor. Dia do mestre, do educador, do líder. Aquela pessoa que se dedica a formar cidadãos honestos, que educa, corrige, ajuda a despertar, que não desiste nunca, e é exemplo para alunos, pais e sociedade. O Jornal Dois Irmãos conversou com profissionais da área para saber mais sobre o desafio do professor nos dias de hoje e descobriu que o quadro negro não atrai a atual geração de estudantes e que a metodologia de ensino só com livros não funciona mais. É preciso expandir as fontes.

Um desafio constante
Susana Augustin Herrmann, 50 anos, leciona há 31. Ela é aposentada há dois anos, mas nem pensa em largar o ofício. “Vou parar no dia em que não conseguir mais subir escadas, ou quando estiver bem velhinha e não tiver mais condições. Gosto da profissão, é um desafio constante. As recompensas são maiores que as decepções”, garante. Susana teve alunos desde a pré-escola até o 2º grau. Foi diretora de escolas e creches, é professora de História e está em Dois Irmãos desde 2006. Atualmente, dá aula no Colégio Imaculada Conceição, da 5ª série ao 2º Grau. “Eu me formei no Magistério e comecei com as séries iniciais. Em 1978 entrei na Unisinos, cursando Estudos Sociais. Mas aí casei, tive filhos e acabei trancando a faculdade”, conta ela, que começou a faculdade aos 18 anos e parou aos 20. “Cuidei dos meus filhos e retomei a faculdade aos 40, me formando cinco anos depois. Na verdade nunca abandonei meu sonho; só adiei e realizei mais tarde”, diz ela, orgulhosa.

Professor era autoridade
Para Susana, muita coisa mudou ao longo dos anos, a atualização tem de ser constante, mas o principal é o respeito com o professor. “O professor sempre era visto como uma autoridade na cidade. Era respeitado tanto por pais, alunos, como pela sociedade em geral. Hoje é diferente. Houve uma inversão de papéis, temos que provar inclusive que o aluno sabe ou que não sabe. Não é mais o aluno que prova isso”.
Segundo a professora, entrar com autoridade não cativa mais. “O quadro negro não atrai mais o aluno, e usá-lo com autoridade também não cativa. Tem uma gama de novidades em tecnologia como iPod, vídeos, celular, internet, DVD... e o professor têm que se reciclar para cativar a atenção do aluno. A gente compete muito com a tecnologia e às vezes sai perdendo nessa competição. Mas é uma troca. Temos de estar dispostos, ter jogo de cintura para atingir os objetivos. É preciso beber de diversas fontes”, diz a professora.

É vocação e paixão
Vice-diretor da escola municipal Primavera e professor de Ciências, Marcus Hübner, 41 anos, leciona desde 1995. Além de professor da área em Dois Irmãos, também é professor de ensino técnico na Fundação Evangélica de Novo Hamburgo e do Instituto Educacional do Rio Grande do Sul (IERGS).
Para Marcus, hoje em dia a dificuldade é maior para conseguir a atenção dos alunos nas aulas. “A globalização, internet e as informações que chegam muito rápido hoje, dificultam o trabalho do professor em conseguir a atenção do aluno por mais de 10, 15 minutos”, diz ele, acrescentando que hoje, mais do que nunca, o professor precisa se adequar à realidade dos seus alunos. “Apenas o quadro e o livro não funcionam mais. Quanto mais prática e focalizada é a aula no cotidiano do aluno, melhor será a aprendizagem. O planejamento ainda é essencial, mas a forma mudou. Quanto mais pudermos deixar a aula visual e prática, melhor. Para tanto, podemos usar revistas, jogos, material para montar... O que não mudou nos últimos anos foi o foco no vestibular. As provas de seleção não mudaram, elas continuam sendo objetivas e teóricas. O aluno precisa aprender, indiferente da maneira, para poder se sair bem sempre”, opina o professor.

Aprendendo a ler e a escrever
Na escola municipal Albano Hansen, no Travessão, a turminha do 1º ano A, com idades entre 6 e 7 anos, está eufórica. Eles já conseguem escrever o próprio nome, e “emendado”, o que é motivo de orgulho para todos. “Sei escrever meu nome inteiro, separado e emendado”, comemora a pequena Ketlin Taís da Silva, de 6 anos. A professora Tatiana Armbrust, 35 anos, que leciona há 15 no município, se sente orgulhosa em participar do processo de alfabetização da galerinha. “Adoro, não tem coisa mais linda. Tem gente que vem sem nada e tudo tem de ser descoberto, tem de se despertar. É maravilhoso”, comenta Tatiana.






Mais de 150 votam na consulta da Câmara

A Câmara de Vereadores promoveu sua consulta popular na última terça-feira para definir as prioridades da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010. O documento vai à votação nesta quinta, em sessão extraordinária, às 19h.




- Parabéns a todos os vereadores que se mobilizaram. Tivemos um número bastante expressivo para 1 hora e 15 minutos de votação - comentou o presidente Sérgio Fink (PSDB) ao fim da consulta popular da Câmara de Vereadores, realizada na noite de terça-feira.
A audiência pública contou com 156 votantes. O número é realmente expressivo, se comparado com a assembleia da prefeitura, que reuniu pouco mais de 90 pessoas.
- Tivemos quase o dobro de participantes, o que demonstra a credibilidade desta casa - comentou Sérgio.
Cada votante podia escolher cinco prioridades entre as mais de 50 obras previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2010. As mais votadas foram: aquisição de viatura auto-bomba tanque (caminhão) para combate a incêndio (78 votos), construção de prédio para a emergência municipal (74), pavimentação asfáltica na ligação Dois Irmãos-Sapiranga (58), construção e/ou aquisição de Centro de Convivência para a Terceira Idade (49) e aquisição de terreno para a emergência municipal (45).
O resultado, de acordo com o presidente da Câmara, vai provocar alterações na ordem das prioridades estabelecida pela LDO. Na audiência da prefeitura, por exemplo, a obra mais votada foi a aquisição de terreno para a emergência municipal, seguida da aquisição de área para um parque de eventos e rodeios - prioridade que na votação da Câmara de Vereadores ficou apenas em 9º lugar.
O projeto da LDO será votado em sessão extraordinária nesta quinta, às 19h. O documento recebeu 8 emendas aditivas.


Jair Quilin para Hélio Seibert: “Tem que
levantar a bunda da cadeira e trabalhar”
A Câmara de Vereadores recebeu o projeto de Lei 150/2009, que dispõe sobre eleições diretas para diretores nas escolas municipais. O documento não chegou a ser votado, mas provocou grande polêmica na sessão, principalmente depois da leitura do ofício encaminhado pelo presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Dois Irmãos, Hélio Seibert. Ele reclama que a entidade não foi convidada para discutir o projeto e no ofício pede para segurar o documento.
A atitude de Hélio, que também encaminhou um ofício de repúdio ao prefeito Miguel Schwengber, provocou reação indignada da situação. O curioso, é que Hélio é filiado ao PCdoB, partido que integra a atual administração. Aliás, na gestão passada, Hélio vivia reclamando que não era recebido pelo então prefeito Renato Dexheimer, e a expectativa era de que agora tudo seria diferente. O líder de governo, Jair Quilin (PDT), não poupou críticas ao presidente do sindicato:
- O projeto foi amplamente discutido com os professores. Acho que tu, como presidente do sindicato, deveria se apresentar mais. A eleição direta para diretor é um desejo antigo da classe. Espero que o senhor traga subsídios na próxima sessão e que sua explicação seja suficiente para atrasar mais 15 dias este projeto. Parabéns ao secretário Maurício (Klein, da Educação), que reuniu os professores. E o senhor deveria ter participado... - cutucou ele.
Hélio, que estava sessão, disse que não foi convidado e interpelou o líder de governo quando ele voltava para o lugar. Jair não gostou e disparou fora do microfone:
- Tem que levantar a bunda da cadeira e trabalhar... - disse o vereador, deixando o clima pesado na sessão da Câmara.
Tânia da Silva (PMDB) saiu em defesa do presidente:
- Entraram dois projetos inerentes ao funcionalismo público e o presidente do sindicato não sabia que eles estavam entrando. Onde está a democracia, o “governar para todos”? Onde está a voz do funcionalismo? - disse ela.
Antônio Renz (PDT) rebateu:
- Como ele ia mandar um ofício se não sabia? Alguma coisa está errada... Quanto a sua presença nas reuniões, é um questionamento que podemos fazer. Ou talvez a sua participação não era interesse dos professores... Duvido que o secretário não tenha lhe convidado ou mandado convidar.
Por fim, Sérgio Fink (PSDB) tratou de amenizar o debate:
- Não vejo por que não escutar o presidente do sindicato, até porque este projeto só vai valer a partir do ano que vem. Quanto à colocação do vereador Antônio Renz, o presidente Hélio Seibert disse no ofício que foi informado do projeto por amigos. Por isso, não vejo necessidade de se levantar uma polêmica tão grande - disse o presidente.
Na próxima segunda-feira, dia 19, o sindicalista Hélio Seibert deverá usar a tribuna para se pronunciar sobre o caso.
O projeto 150/2009 institui a volta das eleições diretas para a escolha dos diretores da rede municipal, com a participação da comunidade escolar (alunos a partir do 6º ano ou com 12 anos completos até o dia da eleição, pais ou responsáveis, membros do magistério e servidores públicos com efetivo exercício no estabelecimento de ensino).

Visita ao prefeito Miguel


Na manhã desta quarta-feira, o diretor da Sulgás, Ademir Schneider, acompanhado do presidente da Câmara de Vereadores, Sérgio Fink, visitou o prefeito Miguel Schwengber para tratar de assuntos referentes a verbas estaduais. “O Ademir se colocou à disposição do município para auxiliar na vinda de recursos do Estado para Dois Irmãos. Queremos também buscar recursos através da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) para a Fest Feira do próximo ano e para o Natal dos Anjos”, comentou Sérgio.
Nesta quinta-feira, o presidente da Câmara terá, junto com Ademir Schneider, uma audiência com representantes do Daer para tratar da conclusão do asfalto na estrada que liga o município de Dois Irmãos a Campo Bom.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sessão quente no Morro

Situação e oposição “trocam farpas” sobre as últimas administrações e acirram debate político no município



A fogueira das vaidades esquentou o debate político na Câmara de Vereadores de Morro Reuter. Na sessão desta terça-feira, situação e oposição trataram de puxar a brasa cada um para o seu assado, e o que sobrou foi muita fumaça no ar. Enquanto os vereadores do PMDB eram só elogios para a atual administração, PDT e PTB criticaram a falta de grandes obras até agora.
O primeiro ponto de discórdia foi a verba de 100 mil reais para equipar as escolas, que veio através de emenda do deputado federal Eliseu Padilha (PMDB). O vereador Romeo Schneider (PDT) elogiou a conquista e parabenizou a ex-prefeita Elaine Capeletti por ter encaminhado o pedido, lembrando que a aprovação do recurso ocorreu em 2008. Já o líder do PMDB, Wanderlei Behling, o Pitcha, atribuiu a verba ao atual prefeito Adair Bohn, que na época era o vice de Elaine.
- Quero salientar que esta verba foi uma conquista única e exclusiva do secretário Guido Giehl e do então vice-prefeito Adair Bohn, fruto das boas relações com os deputados - afirmou.
Juliana Zimmer (PTB) contestou:
- Quer dizer que para as coisas boas era o vice-prefeito, mas quando ele precisava se impor, isso não acontecia.
A vereadora também criticou as declarações que o prefeito tem dado a respeito da queda na arrecadação:
- O prefeito lamenta a queda na arrecadação, mas aí fica um questionamento: que medidas estão sendo tomadas em relação a isso? No início do ano, alguns colegas diziam que Morro Reuter tinha virado um canteiro de obras, mas que canteiro é esse? Que obras são essas? - questionou Juliana.
João Bosco Staudt (PMDB) tratou de rebater a vereadora:
- O nosso prefeito trabalha com os pés no chão, e Morro Reuter realmente está virada num canteiro de obras. Nenhuma administração fez em nove meses o que esta administração já fez.
Romeo voltou à tribuna:
- A queda na arrecadação preocupa, mas o ano não terminou e ainda temos que mostrar muito serviço. Não é porque houve essa queda que temos de fechar as torneiras. Aliás, é preciso dizer que algumas coisas não são “canteiro de obras”, mas coisas básicas que qualquer administração tem que fazer - disse.
O vereador do PDT disse ainda que estão faltando “grandes obras”:
- Grande obra, por exemplo, seria ter uma política de redução de gastos, tirando os CCs (cargos de confiança) e FGs (funções gratificadas) que aumentaram muito. O próprio prefeito disse que está cortando exageros - alfinetou.
Pitcha rebateu:
- Muitos exageros que o prefeito está cortando foram deixados pelas administrações anteriores - comentou.
Juliana voltou à discussão:
- Fazer apenas manutenção do que já existe não pode ser considerado grande obra. Em fevereiro, um vereador elogiou a secretária e o prefeito porque tiveram a grande visão de colocar um bebedouro numa escola. Isso é uma grande obra? Se nos nove meses que passaram não vimos obras e também não há projeção para isso, o que será do nosso município? - disparou ela.
João Bosco não gostou:
- Acho que a dificuldade de visão dela é grande... Depois de 17 anos, a atual administração fez o acostamento na BR 116, ampliou a escola de Picada São Paulo, vai concluir o calçamento de São José, entre outras coisas, e a senhora vê apenas um bebedouro - respondeu.
Por fim, Juliana disse que a aquisição de um bebedouro não poderia ser louvada como uma “atitude heróica”.